Eu acabo de perceber, nesse dia de finados, que meu blog merecia algo hoje, pois já faz mais de 1 ano que eu não escrevo ou atualizo nada aqui e ele está realmente "morto" (Sigamos em frente antes que me lembre que já passei mais tempo que isso sem escrever aqui).
Bem, não que eu não escreva, na verdade, apenas não tenho publicado, porque isso — mais precisamente, a pasta de rascunhos dele — tem apoiado momentos difíceis em que eu não quis ou não soube como desabafar com seres de carne e osso. A verdade é que aqui, diferente das outras redes sociais, eu escrevo, publico e fim, não olho quantas visualizações alcancei, não me importam os leitores fantasmas, nada. Eu só escrevo. É como se fosse um pedaço da minha mente que eu apenas deixo disponível para que outros observem e sigam a vida sem fazer muito sobre.
Há algumas semanas eu escrevi um texto — que nunca será integralmente publicado — explicando como eu me sentia nos últimos meses. Apenas um amigo o leu (não pelo blog, óbvio); coincidentemente, ele não disse muito sobre — exceto falar que também se sente assim, às vezes. — parece que o que escrevo aqui permanece aqui, sempre.
Eu estive durante um longo período de médios e muito baixos estados de espírito. Durante esse 1 ano (para não dizer mais que isso) passei 8 meses sem atualizar minha fanfic, meses sem publicar uma bendita foto. Perdi contato com um grande amigo por culpa puramente minha — e agora nem sei onde ele está nesse mundo —, diminuí muito meu contato com outros — e a culpa continuou sendo quase toda minha.
Isso se agravou com o semestre passado. Não sei dizer o motivo, nem se realmente houve um em específico. Foi uma grande bola de neve que eu comecei a criar sem perceber. Uma bola de neve chamada procrastinação — e não, não foi algo simplesmente engraçado. Foi algo que quase me fez definhar. Absolutamente tudo o que eu podia e não podia eu deixava pra um futuro que nunca chegava. Era como se eu estivesse em um permanente estado de estupor, como se eu vivesse num daqueles pesadelos em que você sabe que tem que fazer algo, mas simplesmente não comanda seus braços e pernas para tal.
Era como se alguém tivesse desligado o senso de perigo e responsabilidade da minha cabeça, como se nada do que eu fizesse ou deixasse de fazer realmente fosse ter algum impacto posterior. Bem, isso não era 100% do tempo, mas o suficiente para que essa bola de neve crescesse ao ponto de me esmagar.
Nesse tempo (não em todo ele, mais especificamente o semestre passado), eu tentava sobreviver a uma combinação de disciplinas desumana na universidade. Entre toda minha falta de vontade de assistir aulas nas quais era obrigada a ouvir absurdos de uma professora sobre a dieta vegetariana e ter que acordar cedo para passar 4 horas inspirando formol, eu simplesmente ia sucumbindo a cada dia. Todos os dias eu me perguntava quando ia começar a agir, quando ia deixar de existir e voltar a ser.
Quase todos os dias eu me perguntava a mesma coisa:
"E se for depressão?"
Eu vivi o impasse de ter medo de saber a verdade e ter medo de continuar sem saber — e cuidar — do que quer que eu tivesse. Eu sentia que poderia apenas deitar e chorar até dormir, todos os dias; ao mesmo tempo, eu me sentia a pior pessoa do mundo por me permitir pensar que seria capaz de abandonar tudo.
Talvez a maior sorte que eu tenha seja que morrer nunca foi uma opção — eu sou a pessoa mais medrosa que conheço e não sei como não tenho medo de agulha. A outra grande sorte é que, se tem algo que eu posso dizer sobre mim, é o quanto eu me importo com aqueles que eu amo.
Diariamente eu me perguntava por que era tão difícil apenas agir, e a resposta vinha em seguida "Está além do que você consegue controlar."
No fim das contas, pela primeira vez na vida eu cheguei ao ponto de perder em uma disciplina. Apesar de eu admitir que não estudara o que devia — nem perto disso —, foi um daqueles dias em que eu só consegui parar de chorar quando meu namorado colocou 5 bebês gatos pra brincar em cima de mim.
E hoje eu percebo que talvez tenha sido a melhor coisa que aconteceu pra me impulsionar no curso, foi algo como "É, agora você vai ter que levantar daí e voltar à vida".
E parece que eu voltei. Voltei a escrever, a querer viver cada dia melhor, retomei meu projeto de cosplay — ainda para esse ano — , mas, assim como não sei explicar como começou, não sei o momento nem motivo exato pelo quê parece estar se dissipando.
Seriam muitos, inúmeros pequenos fatores que eu poderia passar a noite lembrando e listando, pequenas alegrias do dia a dia que me trouxeram de volta do fundo dessa imensidão congelada em que eu me coloquei.
Mas, por agora, o que importa é que está esquentando.
Aquela grande bola de neve finalmente está derretendo.
Talvez eu realmente não tenha sido feita pro inverno.
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