Hoje faz um ano.
Um ano do Massacre das Porcas da Rodoanel.
Não há outro nome que se possa atribuir às mortes de 43 animais (19 no local do acidente) animais inocentes que agonizaram durante horas de fome e sede, após toda uma vida miserável, nos momentos anteriores às suas mortes, tudo isso conduzido pela vontade humana.
Faz um ano que aquelas Marias foram assassinadas. Sim, assassinato, porque elas já estavam indo para a morte antes do acidente acontecer.
Faz um ano que eu lembro das imagens dos 110 corpos jogados, sangrando, tomando chuva, agonizando na estrada, presos entre as ferragens e os pesos dos demais corpos.
Morrendo, sentindo as outras ao seu redor morrerem, ouvindo os pedidos de clemência que só elas e quem se revolta contra isso eram capazes de compreender. Sedentas, famintas, desorientadas, perdidas, extremamente feridas e cansadas.
Faz um ano que os funcionários da empresa responsável pela rodovia tentaram DESTOMBAR a carreta para que essa seguisse em frente ao abatedouro, ela acabou tombando de novo e ferindo mais ainda os animais já em estado péssimo.
Faz um ano que 22 porcas tentaram FUGIR, demonstrando sua senciência através da tentativa de sobreviver. Elas foram recapturadas e chegaram a ser levadas ao abatedouro.
Um ano que ativistas que hoje chamo de herois foram lá e fizeram o que eu queria tanto fazer: salvar as que podiam ser salvas e consolar as condenadas em seus últimos momentos. Passando horas no local do acidente, famintos, exaustos e certamente arrasados como nós todos do movimento ficamos, dedicando suas forças àqueles seres com sentimentos, famílias e medos nos quais tantos enxergam apenas uma coisa: carne.
Eles resgataram também as 22 que conseguiram escapar breves momentos, porém outras 220 mães e filhas, com possíveis prenhezes, que chegaram no outro caminhão, que não tombou, seguiram para o abatedouro. A indústria não pode parar.
Terem suas pernas amarradas e rolarem numa esteira até a caldeira de água fervente onde seriam dados choques elétricos. Esse foi o "abate humanitário" que elas receberam.
Um ano que das tetas de uma das porcas que agonizava jorrava o leite de sua cria, que ela ainda tinha em seu corpo. Ela ainda amamentava seus filhotes quando foi tirada do inferno onde estava para ir para outro pior.
Um ano que dezenas de hipócritas que acompanharam o caso na TV mostraram sua falsa piedade para com esses seres nas redes sociais, enquanto continuavam comendo seus sanduíches de presunto.
Faz um ano desde o dia em que aquelas meninas morreram e as que sobreviveram foram encaminhadas para um lugar onde seriam tratadas com respeito.
Um ano desde que se iniciou um processo de cuidado intensivo para sanar os males causados pelo acidente nas que estavam vivas.
Um ano desde que muitas morreram no caminho ao santuário. Desde que muitas morreriam ainda no santuário.
Faz um ano que seguro minha fúria ao lembrar de Rodoanel toda vez que alguém fala "Bacon é vida.".
Bacon é assassinato. Carne é assassinato. Sua alimentação massacra seres inocentes todos os anos e você diz "Bacon é vida"? Faça um favor: Deixe esta.
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