Depois de muito brigar em anúncios de vendas de
animais, resolvi criar um esquema para explicar a crueldade por trás de um
pequeno filhote. Quero deixar claro que não sou especialista no assunto, mas
uma protetora de animais apaixonada, futura veterinária e fortemente engajada
nessa luta. As situações descritas abaixo são resultado de muitas observações
em grupos, vídeos e matérias sobre o assunto, além de, claro, nos próprios
anúncios de vendas.
1.
Quais os primeiros problemas a considerar sobre a
compra de um animal?
- Um
vendedor dificilmente se preocupa em saber se o filhote está indo para
uma casa segura, se será bem cuidado e aceito durante toda sua vida -
incluindo a tão temida velhice. Sua preocupação é se aquele filhote te
trará lucro. Se uma pessoa oferece dinheiro, ele não vai se importar em
perguntar muita coisa, afinal, o dinheiro já está ali, garantido, já o
bem estar do animal, pode ficar em segundo plano, não é mesmo?
- Que
o vendedor trata o animal como produto, não é novidade. Mas observemos o
ponto de vista do comprador. Aquele animal será seu companheiro. É certo
enxergarmos amigos como mercadoria? E, ao enxergar o animal como
mercadoria, o comprador assume que ele tem a posse do animal, que é diferente
de tutela. Assumindo que é o dono, com plenos poderes sobre
o animal, ele se sente muito bem em fazer com o animal o mesmo que foi
feito com os pais dele: colocá-lo para gerar MAIS filhotes. AH! Ele também
não se martirizará caso não possa continuar com o bichinho, daí vem o
abandono, afinal, o vendedor não vai querê-lo de volta e "como dono,
ele pode fazer o que quiser".
- Se
o comprador está realizando tal ato, ele provavelmente quer um animal de
raça. Esse ato perpetua o ridículo pensamento de que "cachorro bom é
cão de raça", deixando milhões de animais presos nos abrigos e ONGs,
que já não têm mais espaço nem dinheiro para acolher
mais nenhum dos milhares que vivem nas ruas (incluindo aquele rotweiller,
comprado com 30 dias de nascido *leia o item 3 abaixo* abandonado pelo
dono-todo-poderoso só porque, após sofrer várias agressões, o mordeu, sacou como é absurdo?)
2. Quais são as formas de
criação para vendas?
- Nesse
quesito,temos 3 tipos principais: a dos criadores de "fundo de
quintal", a dos que têm animais de estimação que reproduzem-se sem
interferência dos tutores que, por conveniência, vendem os bebês, e a de
canis e gatis especializados em determinadas raças.
3. Como ocorre a criação
de fundo de quintal e o que isso traz para os animais envolvidos?
- Essa
forma de criação é, a princípio, considerada ilegal, mas é a forma mais
comum dos petshops conseguirem os filhotes que vendem. Ocorre basicamente da
seguinte forma: Os criadores mantém os animais (de raça) num local
insalubre, sem o mínimo de cuidados veterinários, forçando-os a se
reproduzirem sempre que possível, ou seja, as mães, chamadas matrizes,
são "estupradas" sempre que seu útero está suficientemente
recuperado para aguentar mais uma gravidez. Banhos, tosas, vacinas?
Elas provavelmente nunca saberão o que é isso. Gastos
"desnecessários" são totalmente desprezados, e enquanto um
filhote deveria mamar por cerca de 45 dias ou mais, aos 30 dias são
retirados de suas mães e postos à venda, trazendo uma carga psicológica
para aquele filhote que o fará ser estressado desde bebê (sacou o lance
do rotweiller?). Nada melhor que um cão latindo 24h por dia num
apartamento, não é? As matrizes também têm poucas chances de
experimentarem uma vida melhor, visto que sua expectativa de vida tende a
ser reduzida em 50% ou mais (ou seja, um animal que,
numa vida saudável, poderia viver 16 anos, vive 8, mas aos 4, quando não
pode mais gerar filhotes devido ao alto desgaste, é descartado nas ruas,
quando não assassinado friamente após duros anos de escravidão). Não vamos esquecer que
diversas raças possuem doenças genéticas (como o Shih Tzu e a sarna
negra) e que, ao estimular a procriação de raças puras,
estamos perpetuando essa "deformidade".
4. "Tenho um casal de
cães/gatos bonitos/de raça, a fêmea engravidou e pariu, não posso vender os
filhotes?"
- Legalmente,
nada restringe a venda, mas vamos analisar esse caso a fundo: Fora os
problemas listados na resposta à pergunta 1, temos nesse caso o seguinte:
Mesmo que seus animais sejam bem cuidados, amados, etc. etc. eles estarão
te dando lucro, se te dá lucro, você não vai castrar seus animais
(pesquise sobre os mitos da castração), ou seja, eles continuarão gerando
mais e mais filhotes que, ao nascerem, serão vendidos, dessa forma, os MILHARES
de animais que vagam pelas ruas ou estão enfiados em abrigos nunca terão
chance de encontrar um lar. Quer dizer, por que não evitar o
nascimento de mais filhotes em vez de condenar os que já nasceram a uma vida triste, sem esperança
e de sofrimento? O mesmo serve para a compra
de animais em gatis/canis registrados.
5. Então o que fazer caso queira
um bichinho?
- ADOTE/RESGATE
e CASTRE (caso não já seja castrado), aumentando assim sua
expectativa de vida e trazendo uma vida mais tranquila pra você e seu
baby. Tenha em mente que cães e gatos podem viver muito tempo, 15,
20, 30 anos! Eles precisarão de seu amor e apoio durante esse tempo, e
consultas veterinárias, alimentação e hábitos saudáveis.
6. O que fazer para ajudar a
parar esse mercado brutal?
- Nunca
compre animais, divulgue esse texto, ensine, debata, quebre os mitos
sobre a castração. Vamos mostrar ao mundo que bicho bom, é bicho vivo e
sendo amado independente de raça!
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