"Honey, I rose up from the deads. I do it all the time."

25 de fev. de 2015

A imundície do mercado de animais e a necessidade de se combatê-lo.

Depois de muito brigar em anúncios de vendas de animais, resolvi criar um esquema para explicar a crueldade por trás de um pequeno filhote. Quero deixar claro que não sou especialista no assunto, mas uma protetora de animais apaixonada, futura veterinária e fortemente engajada nessa luta. As situações descritas abaixo são resultado de muitas observações em grupos, vídeos e matérias sobre o assunto, além de, claro, nos próprios anúncios de vendas.
1.     Quais os primeiros problemas a considerar sobre a compra de um animal?
    • Um vendedor dificilmente se preocupa em saber se o filhote está indo para uma casa segura, se será bem cuidado e aceito durante toda sua vida - incluindo a tão temida velhice. Sua preocupação é se aquele filhote te trará lucro. Se uma pessoa oferece dinheiro, ele não vai se importar em perguntar muita coisa, afinal, o dinheiro já está ali, garantido, já o bem estar do animal, pode ficar em segundo plano, não é mesmo?
    • Que o vendedor trata o animal como produto, não é novidade. Mas observemos o ponto de vista do comprador. Aquele animal será seu companheiro. É certo enxergarmos amigos como mercadoria? E, ao enxergar o animal como mercadoria, o comprador assume que ele tem a posse do animal, que é diferente de tutela. Assumindo que é o dono, com plenos poderes sobre o animal, ele se sente muito bem em fazer com o animal o mesmo que foi feito com os pais dele: colocá-lo para gerar MAIS filhotes. AH! Ele também não se martirizará caso não possa continuar com o bichinho, daí vem o abandono, afinal, o vendedor não vai querê-lo de volta e "como dono, ele pode fazer o que quiser". 
    • Se o comprador está realizando tal ato, ele provavelmente quer um animal de raça. Esse ato perpetua o ridículo pensamento de que "cachorro bom é cão de raça", deixando milhões de animais presos nos abrigos e ONGs, que já não têm mais espaço nem dinheiro para acolher mais nenhum dos milhares que vivem nas ruas (incluindo aquele rotweiller, comprado com 30 dias de nascido *leia o item 3 abaixo* abandonado pelo dono-todo-poderoso só porque, após sofrer várias agressões, o mordeu, sacou como é absurdo?)
     2.  Quais são as formas de criação para vendas?
    • Nesse quesito,temos 3 tipos principais: a dos criadores de "fundo de quintal", a dos que têm animais de estimação que reproduzem-se sem interferência dos tutores que, por conveniência, vendem os bebês, e a de canis e gatis especializados em determinadas raças. 
     3.  Como ocorre a criação de fundo de quintal e o que isso traz para os animais envolvidos?
    • Essa forma de criação é, a princípio, considerada ilegal, mas é a forma mais comum dos petshops conseguirem os filhotes que vendem. Ocorre basicamente da seguinte forma: Os criadores mantém os animais (de raça) num local insalubre, sem o mínimo de cuidados veterinários, forçando-os a se reproduzirem sempre que possível, ou seja, as mães, chamadas matrizes, são "estupradas" sempre que seu útero está suficientemente recuperado para aguentar mais uma gravidez. Banhos, tosas, vacinas? Elas provavelmente nunca saberão o que é isso. Gastos "desnecessários" são totalmente desprezados, e enquanto um filhote deveria mamar por cerca de 45 dias ou mais, aos 30 dias são retirados de suas mães e postos à venda, trazendo uma carga psicológica para aquele filhote que o fará ser estressado desde bebê (sacou o lance do rotweiller?). Nada melhor que um cão latindo 24h por dia num apartamento, não é? As matrizes também têm poucas chances de experimentarem uma vida melhor, visto que sua expectativa de vida tende a ser reduzida em 50% ou mais (ou seja, um animal que, numa vida saudável, poderia viver 16 anos, vive 8, mas aos 4, quando não pode mais gerar filhotes devido ao alto desgaste, é descartado nas ruas, quando não assassinado friamente após duros anos de escravidão). Não vamos esquecer que diversas raças possuem doenças genéticas (como o Shih Tzu e a sarna negra) e que, ao estimular a procriação de raças puras, estamos perpetuando essa "deformidade".
    4.  "Tenho um casal de cães/gatos bonitos/de raça, a fêmea engravidou e pariu, não posso vender os filhotes?"
    • Legalmente, nada restringe a venda, mas vamos analisar esse caso a fundo: Fora os problemas listados na resposta à pergunta 1, temos nesse caso o seguinte: Mesmo que seus animais sejam bem cuidados, amados, etc. etc. eles estarão te dando lucro, se te dá lucro, você não vai castrar seus animais (pesquise sobre os mitos da castração), ou seja, eles continuarão gerando mais e mais filhotes que, ao nascerem, serão vendidos, dessa forma, os MILHARES de animais que vagam pelas ruas ou estão enfiados em abrigos nunca terão chance de encontrar um lar. Quer dizer, por que não evitar o nascimento de mais filhotes em vez de condenar os que já nasceram a uma vida triste, sem esperança e de sofrimento? O mesmo serve para a compra de animais em gatis/canis registrados. 
   5.  Então o que fazer caso queira um bichinho?
    • ADOTE/RESGATE e CASTRE (caso não já seja castrado), aumentando assim sua expectativa de vida e trazendo uma vida mais tranquila pra você e seu baby. Tenha em mente que cães e gatos podem viver muito tempo, 15, 20, 30 anos! Eles precisarão de seu amor e apoio durante esse tempo, e consultas veterinárias, alimentação e hábitos saudáveis.
   6.  O que fazer para ajudar a parar esse mercado brutal?

    • Nunca compre animais, divulgue esse texto, ensine, debata, quebre os mitos sobre a castração. Vamos mostrar ao mundo que bicho bom, é bicho vivo e sendo amado independente de raça!

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