Essa semana foi uma reviravolta na minha rotina — e nem estou contando os extremos: prova 7 a.m. + dias sem aula que tem me proporcionado o fim de semestre. — Meu sono: completamente desregulado. Dormir até muito tarde, dormir cedo e acordar cedo sem planejar no dia seguinte. Iludo a mim mesma com a falsa ideia do sono acumulativo.
Acordo às 3 da madrugada e fico aqui, parada, ouvindo a chuva forte que cai e sons esquisitos vindo da sala.
Açúcar e Jack.
Céus, os vizinhos vão me expulsar. Então eles fazem toda essa balbúrdia enquanto eu durmo?
Não reclamo com eles, apenas sorrio enquanto vou à cozinha beber água. A chuva passa e eles se aquietam. Um tempo depois, um barulho peculiar. Jack está roendo meu carregador. Aí, não! Sacanagem, filho!
Ele volta a correr pela casa com a irmã. A cozinha parece que vai vir abaixo. Não os repreendo, aproveito os sons dos resmungos de um pro outro (ou seriam provocações?) enquanto brigam/brincam.
Ontem fez dois anos que Joana se foi.
Há 2 anos e 10 meses, na antiga casa, antes de se tornarem inseparáveis, Rutherford e Joana brigavam como Jack e Açúcar hoje.
Agora, aprecio o som desses dois derrubando o apartamento com um sorriso no rosto. Ouvindo os passos apressados, os rosnados baques no chão, o fogão sofrendo sob o açoite da cauda de um deles, plástico grosso sendo repuxado por presas
...
Droga, estão rasgando o saco da ração.